Tinha dificuldade nas despedidas. Sim, sabia abanar lenços, fechar portas, tomar um banho e dormir. Difícil mesmo era não se sentir amada daquele jeito que ele ensinara. Andava pela casa procurando vozes, passos e sinais, procurava essas miudezas que lhe diziam sobre o desenrolar suave da vida. Achava o amor dele parecido com canto de passarinho, folha de outono, cheiro de café, sol nas flores, brisa nas árvores, cheiro de chuva. Depois que ele partira, os sons ficaram diferentes. Ouvia o barulho do relógio, dos carros, ouvia o riso lá fora, longe, parecia tudo de outro mundo, achava tudo estranho. Amava tudo isso, essas coisas cotidianas, mas sentia falta das mãos, dos olhos, do sorriso. Sentia falta da porta se abrindo, da bagunça, daquela vida suave. Procurava, procurava e, estranhava, só conseguia encontrar o seu amor no silêncio. No silêncio aprendeu outro jeito de amar, como se comungasse com alguém muito maior e Ele, bondoso que era, lhe devolvesse as memórias de tudo que havia sido bom. Dormia abraçada com suas memórias e, nessas horas, no meio da dor, até paz sentia. No silêncio aprendeu outro jeito de amar, quem partiu e quem ficou...
Depois que ele partira, os sons ficaram diferentes. Ouvia o barulho do relógio, dos carros, ouvia o riso lá fora, longe, parecia tudo de outro mundo, achava tudo estranho. Amava tudo isso, essas coisas cotidianas, mas sentia falta das mãos, dos olhos, do sorriso. Sentia falta da porta se abrindo, da bagunça, daquela vida suave. Procurava, procurava e, estranhava, só conseguia encontrar o seu amor no silêncio.
No silêncio aprendeu outro jeito de amar, como se comungasse com alguém muito maior e Ele, bondoso que era, lhe devolvesse as memórias de tudo que havia sido bom. Dormia abraçada com suas memórias e, nessas horas, no meio da dor, até paz sentia. No silêncio aprendeu outro jeito de amar, quem partiu e quem ficou...