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sexta-feira, 27 de março de 2015

Sobre hoje mesmo
(Teresa Gouvea)

Nessa estrada que chamamos vida,
passagens, onde o coração se entristece,
tanto, que pensamos não ter amanhã,
tanto, que esquecemos de repousar,
ficar em silencio, procurar ajuda dentro da gente,
fazer as pazes com todas aquelas coisas que sonhamos,
aquelas deixadas para o dia seguinte,
dias que nem sempre acontecem,
ternuras esquecidas nos esconderijos da nossa alma,
engavetadas, porque obedecemos o relógio,
nessa pressa toda, que faz a gente se perder,
cega nossos olhos, amarra nossas mãos,
emudece nossa voz pras coisas que acontecem aqui,
faz a gente pensar no tempo futuro até pra amar,
Senhor, nem sempre o futuro é amanhã,
às vezes é hoje mesmo...

terça-feira, 24 de março de 2015

Sobre dias assim...

Dias assim pedem paciência, esperança e fé,
pedem janelas abertas, vento nas cortinas,
travesseiro macio, cama confortável,
roupa balançando no varal,
pedem avós e mães, vontade de colo,
estradas, daquelas repletas de árvores, oxigênio,
pedem o relógio parado, pausa, tempo perdido,
suspiros acompanhados de lágrimas,
lugares bons, amores que confortam, alma,
café quente e tempo, Senhor, tempo,
dias assim pedem paciência, esperança e fé...
(
(Teresa Gouvea)
Sobre o quarto, a casa, o coração...
Meu amor, meu lugar de paz e ternura,
O que faço das minhas mãos que não encontram mais as suas?
Dias e meses sem recolher suas roupas, armários vazios,
tapetes sem calçados espalhados,
Nossa! Copos nos lugares certos,
como se esperassem seus esquecimentos,
pequenos relatos de seus passeios pela nossa casa...
Meu amor, o que faço ao passar pela porta do seu quarto?
Roupas que ainda guardam seu cheiro,
anotações de pequenas grandes verdades da vida,
livros , cds e filmes calados, tristonhos,
ali, espiando suas paixões pela ruas da vida...
Como entrar nesse universo tão seu,
me despedir do nosso futuro, fazer as pazes com o passado ?
Sim, inaugurar nossas histórias, impedidas, na memória,
entender que tudo é nada perto de vazios tão profundos,
entender que tudo escorre, nada se leva nas mãos,
as coisas mais caras são carregadas no coração...
(Teresa Gouvea)