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terça-feira, 24 de março de 2015

Sobre o quarto, a casa, o coração...
Meu amor, meu lugar de paz e ternura,
O que faço das minhas mãos que não encontram mais as suas?
Dias e meses sem recolher suas roupas, armários vazios,
tapetes sem calçados espalhados,
Nossa! Copos nos lugares certos,
como se esperassem seus esquecimentos,
pequenos relatos de seus passeios pela nossa casa...
Meu amor, o que faço ao passar pela porta do seu quarto?
Roupas que ainda guardam seu cheiro,
anotações de pequenas grandes verdades da vida,
livros , cds e filmes calados, tristonhos,
ali, espiando suas paixões pela ruas da vida...
Como entrar nesse universo tão seu,
me despedir do nosso futuro, fazer as pazes com o passado ?
Sim, inaugurar nossas histórias, impedidas, na memória,
entender que tudo é nada perto de vazios tão profundos,
entender que tudo escorre, nada se leva nas mãos,
as coisas mais caras são carregadas no coração...
(Teresa Gouvea)

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